"Cada um arrasta um corpo atrás de si, debaixo do sossego das estrelas" Fernando Pessoa
sexta-feira, 26 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A meu pai
Paisagem de infância.
tenho 12 anos, tenho um cow-boy
que vi no cinema cuidando do seu cavalo ferido
estranhamente parecido a meu pai.
ele penteava e revigorava os meus cabelos
que dançavam na praia deserta
entre eflúvios de ternura.
e cada gesto mimetizava o Sol.
um fio longo e liso do meu cabelo
captou o eco das dunas.
uma borboleta incandescente
perdida na vertigem, cruzou o meu sono.
vento, olhos, pedras e as nuvens
manifestaram a constância desse esplendor.
com um sopro dos deuses
tudo ficou calmo e azul.
o sangue, a história improvisam.
Tudo se refaz. Nunca tardo, pai.
quinta-feira, 18 de março de 2010
MATERIAIS (de Liturgia da Matéria)
domingo, 14 de março de 2010
viagem inesquecível
descrita por José Alfredo Almeida,
com um soneto de meu pai, a ler no Escritos do Douro
quarta-feira, 10 de março de 2010
Sobre a conversa

Então um erudito disse, Fala-nos da Conversa.
E ele respondeu, dizendo:
Vós falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e
quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os
lábios e o som é uma diversão e um passatempo.
E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.
Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode
abrir as asas mas não pode voar.
Há muitos de entre vós que procurais a conversa com medo de estardes
sozinhos.
O silêncio da solidão revela aos vossos olhos os vossos eus despidos e eles
querem escapar.
E há aqueles que falam, e sem conhecimento ou premeditação revelam uma
verdade que nem eles próprios entendem.
E há aqueles que têm a verdade dentro de si, mas não a dizem por palavras.
Khalil Gibran,in O Profeta
terça-feira, 9 de março de 2010
do silêncio
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."
(Clarice Lispector)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Não toques nos objectos imediatos
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Uma Paixão
Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto




