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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

NA CONCHA DE UMA PÉTALA VERMELHA



Na concha de uma pétala vermelha

de uma rosa que o sol abandonara,

eu vi agonizar uma áurea abelha,

por uma tarde castamente clara.


O sol deu-lhe a penúltima centelha...

E ela só morre ao luar que a noite aclara.

Outra abelha, que à morta se assemelha,

vem: vai-se, como a outra se finara.


Essas abelhas são as nossas almas,

que viveram em derredor das palmas

das ilusões que vês e que ainda vejo


Hoje os raios do sol não a socorrem...

mas veio o luar, que é a benção dos que morrem,

para ungi-las no derradeiro beijo.


Alphonsus de Guimaraens

quadrado




Deixai-me com a sombra
Pensada na parede
Deixai-me com a luz
Medida no meu ombro

Em frente do quadrado

Nocturno da janela

Sophia Mello Breyner, in A Noite e a Casa

terça-feira, 8 de setembro de 2009

este mundo



Tela de Frederic Vidalans

Tomar este mundo pelo que ele é...:
" um teatro onde cada personagem actua segundo o papel que lhe coube"
(William Shakespeare)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"If You'll Be My Star..."

submerse yourself




"Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram
alguns operários

Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me
levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém
se importa comigo. "


Bertolt Brecht
10 de Fevereiro de 1898 – 14 de Agosto de 1956

tela daqui