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quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Manuela Moura Guedes contra Sócrates" ??


"Não é que eu esperasse dela uma atitude com classe: as bocas que manda, as boquinhas que faz, os apartes coloquiais que faz no telejornal, a conversa de café que adopta, as interrupções constantes aos seus convidados impedindo-os de alinharem duas ideias seguidas, a superficialidade do seu discurso, a sua postura de garota mimada e espevitada já não auguravam nada de bom, é certo. "

ler o texto integral no blogue "A grade farra da leitura"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

rigoletto

não percam! :-)

A não perder, este texto aqui.
Grande Mulher, Minucha!
"(...)Sou capaz de não ter razão mas sempre que me falam ou que leio a palavra amizade junta com amor, paixão e casamento ou união, fico arrepiada.Se me perguntarem se sou amiga do meu marido eu respondo que não, por muito zangado que ele fique....eu também fico quando ele me diz que é meu amigo, raras vezes, felizmente.Não, o que tem de existir é paixão, amor e rir, rir muito porque o riso é que faz a cumplicidade.Claro que me vão dizer que a paixão desaparece com o tempo e eu respondo-vos que isso não é verdade.Acho mesmo que isso é a maior mentira que se diz por aí. A paixão arrefece mas reaparece e cada vez que volta é mais forte e dura mais tempo. E sim, estou a falar das pernas bambas quando o vejo, da vontade de o despir quando me beija, estou a falar de paixão, só que a paixão quando reaparece já não é sobre o que gostaríamos que ele fosse, mas sim sobre o conhecido e por isso ser mais duradoura.Outra palavra que me deixa perplexa é ‘respeito’, porque nunca percebo bem de que respeito estão a falar.Eu só tenho de ter respeito por mim, e um respeito tão profundo pelo meu eu, que obrigatoriamente respeito o outro. Por outras palavras, tenho é que gostar de mim se quero gostar de alguém e, isto nunca poderá ser entendido como teoria. Isto é a prática! Isto é o dia-a-dia.Claro que estou a falar do meu ponto de vista, mas para falar verdade é só esse que me interessa.Por issotenho, em primeiríssimo lugar e sempre, de gostar de mim, de me respeitar profundamente, de não ceder em nada que atinja o meu eu e só assim conseguirei amar e respeitar outro e ceder perante o seu eu. Sempre que estes termos forem invertidos nunca nada resultará.Pode ser controverso, mas para que duas pessoas se mantenham unidas é necessário que as duas sejam ‘egoístas’, assim escrito entre aspas, porque para explicar este meu conceito de egoísta era necessário um outro post.Termos cuidado com o nosso aspecto, um e outro, tem a ver com o gostarmos de nós, já está englobado numa das premissas lá de cima.Stress e filhos nada têm a ver com arranjarmo-nos. Há dias em que qualquer um acha que está com cara de cu, nem apetece olhar para o espelho, mas isso é um ou outro dia, não é permanentemente.Cuidado, porque os homens com a mania dos macho-latinos acham que não têm de ter cuidado com eles e nós também não gostamos de casar com um esbelto que passa a ser barrigudo.Também não percebo o que querem dizer com ‘crescer juntos’. Nós dois cá por casa, temos interesses bem diferentes, basta termos tido profissões diferentes, amigos de infância diferentes, leituras diferentes, músicas diferentes, opções políticas diferentes e por aí fora, mas soubemos arranjar amigos comuns, conseguimos ouvir as músicas que o outro prefere e somos civilizados na troca de opiniões, nome simpático para as nossas discussões políticas.Não há fórmulas para uma união duradoura porque têm de ser a dois, mas penso que há conceitos inultrapassáveis e por isso mesmo tanto pode dar para o bem como para o mal. O que é importante, para mim foi, é ter a coragem de romper bem cedo, não deixar arrastar uma relação que não vai dar a lado nenhum.Quando me dizem que os jovens de agora são egoístas, também fico sem perceber o que querem dizzer....Que eles não devem ser felizes? Que têm de ceder permanentemente, sem tom nem som? Que se separarem 15 ou 20 anos depois já não são egoístas? É uma questão de mais ou menos tempo?Por gostar de mim e me respeitar separei-me ao fim de quatro anos e pela mesma razão tenho uma união feliz há 34 anos. Confuso? Para mim não"
**
texto da Minucha que subscrevo, literalmente.

domingo, 19 de abril de 2009

Une flute et la mer




Bebe comigo Omar na fina taça
celebra no meu antro em meu festim
a mágoa que tomou conta de mim
e esta raiva de ti que não me passa

Bebe comigo, Omar, assim assim
e mais e mais Que a minha fronte lassa
esqueça que existiu a tua raça
perceba que te foste, que é o fim

Bebe comigo, Omar, na taça fina
Que toda a gente aqui a taça erga
À nossa! À tua! À deles e à minha!

Que toda a gente aqui saiba e perceba
que «une flute et la mer» sou eu sozinha
sem ti sem mar sem nada que se beba

Julieta Lima
´
imagem: "à ma santé",
óleo sobre tela de
Francine Van Hove

pós-cliché?


V
eu, pós-moderno
pós-clichê

sou clichê por excelência
releio cl@ssicos de meia p@gina
recrio lixo
rebatizo o belo
.............
..............(que o belo não existe
..............o belo é uma promessa
..............na porta carcomida de tua retina
..............uma fechadura enferrujada
..............uma veia de teus flamboyants)
eu, pós-vanguarda
na retaguarda permaneço
tiro o meu da reta
assisto a banda passar
vomito smirnoff ice
nos que estão fora
das cordas de proteção
..........................................(que a proteção não existe
..........................................a proteção é um óvulo fecundado
..........................................de uma adúltera na sala de espera
......................................... de uma clínica de abortos)


Wellington de Melo

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Carta aos mortos

***


Amigos, nada mudou
em essência.


Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.
Em cada olimpíada há récordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote,
e a primavera chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração, insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.

***

Affonso Romano de Sant'Anna

Convite

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***
Para quem viver perto de Caldas da Rainha, uma sugestão a não perder para sábado.
O lançamento promocional do livro da Cristina Nobre Soares, amiga destes Caminhos!