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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Chuvas

Algumas vezes existi.
Algumas vezes tomei chuva.
Mas quando tomei chuva eu me senti um átomo da água e ali
Fui rio, nuvem, relâmpago, açude, cisterna, foz e quase voei.
Porque tomar chuva é integrar-se à natureza, ser parte dela
Conjugar o verbo haver no sentido mais pleno de seu assento
Eu a chuva - e até algumas lágrimas de alegria, êxtase e contentamento
Como se a minha alma-árvore se lavasse por dentro...
E fui chuva e guri e mar e senti minha alma flutuar numa nuvem-nau
Porque eu era a maravilhosa Chuva naquele bendito magno momento
Então a chuva me reconhecendo como parte dela (que o meu espírito o é) Parou de ser peneiradinha naquele tardiscar cor de rosa-pitanga em Itararé
E o lírio-laranja do sol se abriu de novo e eu me vi ali
No fio-terra, o guri
Angelicalmente de alma lavada
Pronto para enfrentar a cara amarrada
Da vida distante que em busca de mim mesmo a peregrinar escolhi.

Silas Correa Leite
blog do autor "Porta Lapsos"
(gentilmente enviado pore email pelo poeta. Obrigada,amigo!)

Filo-Café "Onde estão as Musas?"


áreas: Pensamento, Pequenas-Comunicações, Dança. Poesia, Design, Musica, Performance, Sociologia, Antropologia, Psiquiatria, Artesanato, Filosofia, Teatro, Semiótica, Pintura, Fotografia, Curta-Metragem, Escultura

Para hacer su inscripción solamente hay que indicar su proveniencia geografica y su area de intervención a través:

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Coordena: Deborah Nofret

site Incomunidade

sábado, 16 de fevereiro de 2008

augúrio de inocência


Num grão de
areia o mundo inteiro ver

E numa flor do
campo o firmamento -

Todo o Infinito
em tua mão conter

E ter a
Eternidade num momento.


William Blake
foto daqui

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

POEMA DO COMEÇO


Alberto M thousandimages.com


Eu num camelo a atravessar o deserto
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito aberta

Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de escamas

Eu na praia e um vento de agulhas
com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia
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Eu na noite com um objecto estranho na algibeira
-trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de musgo


in Poesia de António Maria Lisboa
– texto estabelecido por Mário Cesariny de Vasconcelos

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

gostei de ler


"A princípio as pessoas escreviam cartas, postais, por vezes telegramas. Manuscreviam, emendavam os erros, riscando as palavras, entrelinhando o que tinham esquecido, acrescentando um «em tempo», um «post-scriptum», para complementar uma ideia, rectificar uma expressão. Nesse tempo havia pessoas que passavam a limpo os rascunhos das suas cartas, as que copiavam minuciosamente tudo o que haviam escrito, para ficarem com memória. Era um tempo em que o aguardar pela resposta fazia parte do acto esperançoso de escrever.
Depois, com a informática veio o tempo real, (.......)"
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,,,
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VERMEER VAN DELFT, Jan
1665-66, L'écriture d'une lettre

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ser Professor, hoje não é uma vocação, é uma perversão


Profs....a culpa é deles! ,,,,,,,,,

Texto notável de Ricardo Araújo Pereira
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Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por> isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles.

E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores. Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.,,,,,,,,,,,,,,,

O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato> entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.,,,,,,,

A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento. ,,,,,,,

O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem> nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas. ,,,,

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.

Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.,,,

Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.

Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças.
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Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores.
Um cigano em cada escola, é a minha proposta.,

Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
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Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
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Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
ps- Obrigada à Gabi

As minhas Palavras

A ANA VIDAL pede-me DOZE palavras que goste. As minhas palavras de hoje são estas:


utopia
mar
brincar
azul
cristalina
palavrar
lugar

vento
água
capitel

sozinhez
grito

****

Que pegue na corrente e a repasse quem das palavras gostar!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

PAUSA

Este Blogue vai de Férias
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"Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
++++++++
Lewis Carroll , in Alice no País das Maravilhas

"Quand j'étais petite fille, je voulais
Des étoiles et des chemins comme jouets
Des orages sur mes étés, des tempêtes sur mes sentiers
Un grand ciel sauvage et blanc, des soleils et des torrents"
(Mannick)
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quando eu era menina, num sopro, esta flor fornecia-me todas as respostas
hoje conduz-me às respostas que tenho dentro de mim.
é dos meus oráculos, o mais verdadeiro.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008