O certo é que a realidade real
difere da realidade pensada.
Os homens não esperam mesmo nada.
Eu é que espero, e esse é todo o mal.
Agravo a dor do mundo imaginando-a;
coro de sangue e febre os olhos distraídos;
construo a voz amarga, implico-a de sentidos,
pisando-a, triturando-a, macerando-a.
O Mundo é corpo. É um corpo sem forma nem limites.
É como corpo, nele,
uns são carne, outros pele,
outros ventre, repleto de apetites,
outros sexo, outros boca, outros retina,
outros músculo tenso e força bruta.
Cada um seu sistema determina.
Cada qual a seu modo se executa.
Mas se um homem ferve
na água em que eu fervo,
coitado, só serve
para fio de nervo.
António Gedeão
Nota- Poema declamado por mim no Filo Café Descoberta/Invenção, sábado, dia 16 fotos aqui
Conheci António Gedeão como professor no Liceu Pedro Nunes.
ResponderEliminarUm dos grandes poetas do nosso tempo!
Abraço amigo
o "pobre" só para fiu serve
ResponderEliminaroh ! céus
... então só pode ter sido magistralmente declamado, Júlia. :)
ResponderEliminarque inveja, Joaquim!
ResponderEliminar---------
Mike, estou em grande forma, sim :-)
O nosso poeta estará realmente certo?
ResponderEliminarEntão sendo o corpo um mundo sem limites, não se pode esperar nada dele?
Cumprimentos e um bom fim de semana.
Curiosamente ofereceram-me um livrinho intitulado "Rómulo de Carvalho - Ser Professor", da autoria de Nuno Crato, o qual nos dá a conhecer a vida do poeta enquanto professor e historiador.
ResponderEliminarA Júlia esteve brilhante, imagino.
Beijinhos
António
por isso mesmo,pode-se esperar tudo, Jose Torres:-)
ResponderEliminarolá, António! anunciei no FB, para a próxima, tem que ir, ach que iria gostar:-)
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