Quando os peixes começam a ganhar raízes no fundo do mar,
os pescadores mergulham num tão longo desespero
que desatam a escrever-lhes poemas de amor,
que lançam até dois mil metros de profundidade,
em papelinhos verdes presos aos anzóis.
Os peixes, porém, cansados de tanto lixo,
devolvem os papéis e as palavras,
aproveitando apenas os anzóis
para erguer os seus muros de arame farpado.
Haukur Haraldsdóttir
(1867-1906 – Islândia)
Jornal de Notícias, 17 de Novembro de 1937
Tradução de Cristovão Meireles
um beijo.
ResponderEliminardaqueles que permanecem na suspensão do tempo.
(mulher Linda)
Gostei mesmo muito deste poema, Júlia :-)
ResponderEliminarUma excelente semana (do que falta).
A profundidade assim atingida é o muro que os defende da cobiça humana. Porque não acreditam nesse amor. Às vezes os humanos erguem muros entre si pelas mesmas razões.
ResponderEliminarolá querida desaparecida, Isabel!:-)
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Fugi, quem dera que ganhe lanço de novo- risos- execelente semana também!
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é mesmo isso,Cristina! :-)
ResponderEliminarFantástico! O que a Júlia nos diz!
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