
Ser feliz é uma responsabilidade muito grande. Pouca gente tem coragem. Tenho coragem, mas com um pouco de medo. Pessoa feliz é quem ocultou a morte. Quando estou feliz demais, sinto uma angústia amordaçante: assusto-me. Sou tão medrosa. Tenho medo de estar viva porque quem tem vida, um dia morre. Tem sentido correr tanto atrás da felicidade, será que basta ser feliz? Será que ser feliz é um estado de tolerância?(...)Estou cheio de recordações e tudo o que já é passado tem um toque de melancolia dolorida. Que faço de tantas lembranças - senão morrer."
Clarice Lispector in Um sopro de vida
Acho que o jeito é estar feliz, em vez de querermos a todo o custo ser felizes. É isso... estar feliz. Hoje, amanhã, um dia de cada vez, um dia a seguir ao outro. Estar feliz. :)
ResponderEliminarNão, Mister, não estar: ser feliz.
ResponderEliminarNão a todo o custo. Hoje, amanhã, um dia de cada vez, um dia a seguir ao outro: ser feliz.
Com as mais simples e pequeninas coisas.
Já se vê que sou bem menos tortuosa que a Clarice Lispector, Júlia :-D
Beijinho
Mas a Fugidia não vê que é disso mesmo que se queixa a Clarice? Dessa obrigatoriedade de ser. Estar é melhor, pesa menos, é o momento, a hora, o dia. Ser atira-nos com a obrigatoriedade de sermos amanhã, porque sim. Depois há um dia em que estamos infelizes e pensamos que somos... mas só estamos, porque amanhã é outro dia. Ui... será que me fiz entender? O Mário Quintana entendia-me. :)
ResponderEliminarê cá concordo com os dois. um dia de cada vez, atinge-se o tal estádio de felicidade, o equilibrio!
ResponderEliminarFufi, Clarice vai mais longe, diz que ser feliz passa pela tolerância e eu concordo. esta frase é que me impressionou e vale o texto todo, acho. :-)
Mister, para mim não há obrigatoriedade de ser feliz.
ResponderEliminarHá desejo.
E para quê o menos, se posso ter o mais?
E ser feliz pode ser por momentos/hora(s)/dia(s) :-)
Júlia, ser feliz passa pela tolerância?
Sim. E também pela capacidade de nos adaptarmos, de tirarmos o máximo do que e de quem nos rodeia, de relativizarmos and so on... :-)
:-))
ResponderEliminar(nem imagina o quanto estou a rir aqui)
Mister, um beijo por essa garbosa intervenção. É mesmo isso, arreeeeeee. O sobressalto do dia seguinte a que ela chama morte.
Pois é, Júlia. :)
ResponderEliminarEu cá acho que ser feliz é coisa de mulher e estar feliz é coisa de homem. Tem a ver com exigências e expectativas. ;)
Ó Quintana, preciso da tua ajuda, homem.
Mike, os homens, morrem sem saber a verdade, a verdade neste caso é morrer. morrem e pronto. :-))
ResponderEliminarolha, morri!!
De cansaço? lol
ResponderEliminarConcordo com Clarice. A felicidade assusta, realmente, porque no inconsciente fica o medo de termos que pagar um preço por ela, o que não é absolutamente verdade.
ResponderEliminarEntão, se ela chega, devemos abraça-la e tudo fazer para que ela vá ficando, va ficando...
bjs
A felicidade assusta porque nos habituámos a ver tudo de forma fatalista. Talvez, no fundo o que gostamos é da tristeza; ela é desculpa para muita coisa, sobretudo para não caminhar em frente (e isto pode ser assustador) É uma segurança forjada. A "infelicidade" não é mais do que um boicote que fazemos a nós próprios com vista a não explorar o melhor e desconhecido de nós. É preciso coragem para isso, e sim, nessas alturas a morte vem à "superfície" porque estamos "em campos" que não dominamos...Bem, divago Júlia. Perdoa-me.
ResponderEliminarUm beijinho! :)
"Smile - you're special!"
vocês nasceram cansados , especialmente para pensar, voilá :-)
ResponderEliminarquerida Dulce, falou a voz da experiência, concordo consigo!
ResponderEliminarLorenzo, eu nao sou a Clarice , nem tenho a melancolia dela, bem pelo contrário, quem me conhece bem, sabe que a minha natureza é alegre.
ResponderEliminarSer feliz é, para mim, uma espécie de predisposição, Júlia, e, nesse sentido, tem tudo a ver com tolerância... Ou com «tolerar» a certeza de que a vida é uma espiral em que «não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe». Há pessoas que são felizes contra tudo e contra todos. Outras – a maioria de nós – que têm dúvidas. E outras, enfim, que nunca o são, mesmo quando a sorte lhes sorri a cada esquina. :-)
ResponderEliminarSer feliz es una traición a la dignidad al espíritu humano.
ResponderEliminarJúlia...Nunca duvidei disso. Jamais.
ResponderEliminar:)
Mas que miscibilidade de ser e estar.
ResponderEliminarPenso que se sou feliz, estou feliz, bem como, quando estou feliz, sou feliz.
EU, não tenho dúvidas.
Haverá dúvidas ou teremos de nos imiscuir na mente melancólica de Clarice Lispector e nos seus conflitos interiores.
Por vezes a elegia à vida, transporta-nos à alegoria.
Foi o que ela sempre seguiu.
Penso eu.
E a natureza de Clarice também era alegre e jocosa Querida Júlia :) tão diferente dos seus escritos por vezes carregados de uma melancolia que entristece o leitor.
ResponderEliminarLogo contrariada por frases como "...juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar" ;)
Ser feliz é ser acima de tudo responsável por ser guardião de um bem maior: a própria felicidade :) que por vezes se constrói como um pequeno puzzle .. uma peça aqui, outra ali ;) nem todos têm coragem? evidente que não. Basta olhar em volta.
Beijinho e gostei deste evocar :)
Ser feliz é compreender... e mesmo assim sorrir!
ResponderEliminar