
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela
alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.
Clarice Lispector
Tela: "The Blue Lovers", Chagall
Por vezes tenho medo quando me sinto feliz, alegre, leve.
ResponderEliminarÉ preciso esforçar-me para viver esses momentos e não deixar-me levar pela ansiedade de que tudo pode/vai acabar.
Estranhos somos...
Xóóó, pensamentos melancólicos!; afinal, como disse o Poeta, o Mundo não se fez para pensarmos nele mas para olharmos para ele com o pasmo essencial que teria uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras...
(tinha saudades, já disse...)
:-)
obrigada, Querida Fugi,
ResponderEliminar(arre, que nome enganador, hein?)
:-))
"E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida". És dada ao dramatismo, mas gosto do que escreves, Clarice. :)
ResponderEliminarMike, (risos)
ResponderEliminaracredita que aundo li essa frase pensei que o meu amigo iria barafustar? :-))
E tem-se medo do prazer, m teme-se a total felicidade, e esse medo de perde-la, de que ela se vá sem volta, consegue impedir-nos de ser totalmente felizes... Contradições da alma...
ResponderEliminarParabens pela escolha de tão lindo texto.
beijos
Adoro este quadro...
ResponderEliminarUm beijo querida Julia