Contudo, há ainda no Porto, quem não conheça este petisco transmontano, malgré a publicidade feita à "Feira do Folar".
Já ouvi chamar-lhe apontando-o, "aquela bola grande"; censurando-lhe a majestosa altura composta de carnes bisaras, "mas que bola tão alta" wxclamaram alguns. Este é também o tipo de pessoas, convém dizer, que come o Folar que agora é devidamente Certificado, em fatias finas, quando este deve ser cortado em nacos fartos, para que as suas carnes não se esboroem e restem no lugar delas, buracos... ainda que saborosos buracos.
Nas Páscoas da minha infância, em casa da Tia-Avó em Valpaços, o Folar de Páscoa era feito matreiramente na Sexta-Feira Santa, dia em que seria suposto ninguém tocar em carne, evitando assim que as travessas que compunham os ingredientes do mesmo, sofressem desfalque antes do tempo. Fazia-se, contudo, um Folar isento de carnes que eu não gostava nada. Obviamente que esta proibição não impedia que as crianças surripiassem as tentadoras carnes meticulosamente pesadas e cortadas,dispostas nas travessas. As sábias tias e empregadas fingiam não ver o inevitável desfalque, os risinhos escondidos, enfim.
Coloco aqui a receita oficial, muito embora eu saiba alguns segredos mais, porque há Folar de Valpaços bom, há o sofrível e o muito bom. A minha mãe, por exemplo, aprendeu da Tia-avó a colocar mais ovos do que essa receita conta. Mas acrescentava-lhe algo para o amaciar. Aí residia o segredo que é segredo e dele não contam as receitas. :-)
***
Ingredientes:
1 kg de farinha de trigo
12 ovos1 gema de ovo
150 gr de margarina
150 gr de banha
50 gr de azeite
30 gr de fermento de padeiro
1 frango
1 salpicão
200 gr de presunto
1 linguiça
salsa

Que fome!
ResponderEliminaradoro folar! este de trás-os-montes provei-o pela primeira vez numa aldeia do concelho de vimioso... uma delícia... obrigada pela receita! ;)
ResponderEliminarJ.,
ResponderEliminarAs minhas tias colocavam 18 ovos e 1 colher de açucar. Aí vai como se faz:
Peneira-se a farinha com um pouco de sal num alguidar e faz-se uma cova no meio. Desfaz-se o fermento de padeiro em 0,5 dl de água tépida, deita-se na cova da farinha e vai-se envolvendo nela.
Colocam-se os ovos inteiros com a casca numa tigela e cobrem-se com àgua morna. alguns minutos depois, abrem-se para dentro da farinha (sempre ao centro) e vai-se fazendo absorver a farinha trabalhando-a a partir do centro. derrreta as gorduras em lume brando. Junta-se à massa e trabalha-se tudo adicionando agua necessária até obter uma massa fina. A seguir, bate-se a massa com as mãos até esta se desprender completamente do alguidar.
A massa considera-se bem batida quando aparecem uma bolhas à superfície. Nesta altura polvilha-se a massa com um pouco de farinha, cobre-se com um pano e envolve-se o alguidar com um cobertor. Coloca-se num local tépido e onde possa receber um pouco de calor indirecto. A massa leva 2 horas a levedar. Está levedada quando atingir o dobro e apresentar um aspecto rendado. Tem-se um tabuleiro rectangular, cujos bordos não devem exceder 8 cm de altura, muito bem untado com banha.
Cortam-se o chouriço e o salpicão às rodelas, o presunto às tiras e desossa-se o frango limpando-o de peles e ossos e desfazendo-o em febras. Divide-se a massa em três partes, devendo uma delas ser um pouco maior. Estende-se esta parte maior e forram-se com ela o fundo e os lados do tabuleiro. Espalha-se por cima metade da porção das carnes e salsa e cobre-se com a segunda parte das massa, sobre a qual dispõem as restantes carnes. Finalmente, tapa-se o folar com a terceira parte da massa e unem-se os bordos a esta camada final.
Deixa-se levedar novamente o folar até aparecerem bolhinhas a superfície. Nesta altura, pincela-se com gema de ovo e leva-se a cozer em forno bem quente durante cerca de 45 minutos.
bjinho
Que aspecto bom !!!
ResponderEliminarGosto da magestosa altura, dos nacos fartos, das carnes de porco bísaro e mais não digo, que é o pecado da gula a falar!!!!
MA
hummmm
ResponderEliminarSó posso para o ano,mas vai ficar registado.
Um beijinho
Magnífico, sem dúvida, o folar de Valpaços!
ResponderEliminarVivi por lá algum tempo e provei-o de várias proveniências.
huumm
ResponderEliminarAté que enfim aparece alguém que sabe do que falo!
O Marco é mais bonito, JM!
Pois, mas vida às vezes prega-nos partidas :-)
ResponderEliminarSim, JM, não se pode,realmente planear nada...
ResponderEliminarMas o que não é planeado acaba por ser o mais divertido!
ResponderEliminarNo caso concreto, foi mesmo um erro muito grave. É a vida :-)
ResponderEliminarTodos os erros se corrigem. Excepto um. Ou dois. Ou mesmo três.
ResponderEliminarAlguns~não têm correcção possível :-)
ResponderEliminar...só a morte não tem solução.
ResponderEliminaresse diabinho que se chama Teresa , arrisca brincar com os erros :-)
Eu sou um anjinho!
ResponderEliminarEu estou farta decometer erros, mas aprendo sempre algo...e a vida é boa!
Querida T, se aprende algo, então não reincide nos mesmos erros, mas continua com forte possibilidade de cometer outros novos erros.
ResponderEliminarJM.., ela gosta de váriar nos erros, porque aprende com os antigos.
Pois, vou sendo errática, risos.
ResponderEliminarÀs vezes reincido, pelo prazer que dá fazê-lo!
Os erros são uma vitória contra a ignorância. Mas alguns deixam-nos tão traumatizadinhos que não nos apetece persistir. Até prova em contrário, claro :-)
ResponderEliminarOu melhor oportunidade,motivo,companhia,lugar, forma e outras mais condições.
ResponderEliminarBoa sorte para os seus erros:)
foi boa,a nossa conversa em torno do Folar. Falta aqui só uma boa pinga de Valpaços para regar o Folar e as palavras acompanhar. :-)
ResponderEliminarÉ bom lembrrmo-nos dos erros,para que não os repitamos. Não sei que escritor escreveu (Joice?)que há muitos erros novos para descobrir -não temos por isso desculpa para repetirmos os mesmos. :-)
Isso! Um copito marchava:)
ResponderEliminarPeço desculpa, mas só consigo beber a partir do jantar :-)
ResponderEliminarpois, já não lembrava - as insónias!
ResponderEliminarpois. Álcool durante o dia, nem vê-lo. Fico zonzo só de olhar :-)
ResponderEliminareu só bebo em ocasiões muito especiais.
ResponderEliminarE o que são ocasiões especiais?
ResponderEliminar(eu sei que a Júlia gosta de Porto, xiu!)
ResponderEliminar:-)
ResponderEliminarmas não bebo Porto todos os dias!!
Mas devia!
ResponderEliminarperderia a graça..
ResponderEliminarAqui em Ílhavo também temos folares, mas são diferentes.
ResponderEliminarA receita, que encontrei na Agenda Cultural da Câmara Municipal (PDF, tem foto):
Folar de Vale de Ílhavo
Ingredientes
· 1,700 kg de Farinha
· 300 grs. de Açúcar
· 8 Ovos
· Ovos cozidos
· 20 grs. de manteiga
· Sal
· Fermento
Modo de Preparação
Junta-se um quilo de farinha, o sal e o fermento, amassa-se
e deixa-se levedar. Depois de estar levedado junta-se o
açúcar, os ovos e a manteiga. Mistura-se tudo e junta-se mais
700 gr. de farinha. Deixa-se levedar novamente. Tendem-se
os bolos do tamanho que se pretender e decoram-se
com ovos previamente cozidos (com casca de cebola
para dar cor).
Finalize levando o Folar a cozer no forno de lenha,
previamente aquecido.
Receita gentilmente cedida pela Padeira Brilhante (participante no Concurso
Gastronómico de Ílhavo 2005)
Olá João Paulo,
ResponderEliminarObrigada pela receita. Deve ser também delicioso.
Há muita espécie de folares,inclusive em Trás-os-Montes,cada um tem a sua diferença. E é na diferença que reside a riqueza deles, não é?