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sexta-feira, 13 de junho de 2008

a minha homenagem a Fernando Pessoa, no seu dia



UM DESCONHECIDO EM LISBOA

Um desconhecido passeia em Lisboa
de olhar dilacerado pelos lobos da noite
vestido do azul-masculino do sonho
azul feminino das palavras.

Passante quase invisivel
todas as máscaras lhe servem.
Perde a razão,
imita a bruma e a chuva:
veste-se de mulher nua
nas vitrinas da madrugada.

Esse sonho que escapou das nossas mãos porosas
Essas flores amarelas murchando sob os nossos dedos
("Amar é querer e não querer")*
Assim acreditou poder ler a sua glória

Não ousando ver-se senão a quatro imagens,
quis tudo perder;
foi preso pelo tempo.
Sonha. Noite de lua cheia...

A tinta na ponta dos dedos treme-lhe
contra o liso excitante da página
- No poema haverá um céu feito
com desejos de nuvens brancas.

Júlia Moura Lopes



Nota: este poema foi feito e publicado no Forum Pessoa Revisitado com o intuito de homenagear o poeta no seu aniversário.

* Fernando Pessoa no triptico de peças reunidas por Teresa Rita Lopes, ao qual intitulou "Privilégio dos Caminhos" , título roubado para este blogue.

9 comentários:

  1. "Foi preso pelo tempo"; e quando assim é tudo se perde.
    Porque o sonho, só, é muito pouco...

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  2. o sonho, Cristina, é um desejo de nuvens brancas. só. :-(

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  3. o grande FINGIDOR!!!!!


    e um excelent�rrimo texto.


    JULIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.


    beijo com beijo e beijo.

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  4. Gostei muito, Querida Júlia. Seguir este (Seu) Caminho é verdadeiro Privilégio, como seguir este Privilégio é o Caminho.
    Beijinho grato

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  5. Coisas há, tais como uma grande alegria ou a tristeza, que nos fazem vir as lágrimas aos olhos. Mas há também um terceiro género de causas lacrimais: as coisas muito belas, quaisquer que sejam as suas tonalidades afectivas… Foi por esta razão que este poema da Júlia me fez vir as lágrimas aos olhos.

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  6. ...obrigada por o dizer!...


    foi uma alegria ler o seu comentário, José Eduardo :-)

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