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domingo, 22 de setembro de 2013

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?


Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus?
O medo me domina.
 
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
Tradução: Paulo Plínio Abreu

3 comentários:

  1. A Promessa da Vida Eterna dissipa o medo da perda de Deus, a nossa finitude só deixa esse sentimento aos humanos que, mais imperfeitamente, nos amam e por tanto se pensam condenados a conjugar o verbo no Pretérito. Mas há sempre a grande - e por que não dizê-lo? - poética escapatória da Comunhão dos Santos, como algures reconheceu Unamuno.

    Beijinho, Querida Júlia

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  2. Um poema que toca a alma, mas que é belo na sua essência, porque faz reflectir.
    Mas hoje não é para pensamentos destes... aliás, estamos no tempo de tocar a vida para a frente e vencer medos. Todos os medos.
    Um grande beijo :)

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