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terça-feira, 9 de abril de 2013

O único no mundo






- Faz muito frio pra você, aqui fora?
- Não, leve-me por favor até ao centro da praça….De noite, no sonho, vimos uma árvore como aquela lá, aquela perto do centro.
- Vimos?
- Sim. Você, e eu, e todos. Estava bem à vista.
- Que sonho era?
- O sonho da noite.
- Que queres dizer com isso?
- A gente tem um sonho, todas as noites. E as vezes mais de um, não é assim?
- Sim.
- E no sonho da noite havia uma árvore como essa, e um dos galhos estava carregado de frutas. Mas não mais do que um galho.
- Escute, senhor Ramirez, a gente tem sonhos enquanto dorm
e.
Mas cada um sonha sozinho. É coisa particular, privada.
- Mas você não viu essa árvore de noite, a de galho diferente?
- Não, não a vi.
- Todas as pessoas a viram.
- Ninguém a viu. Você sozinho a viu. O único no mundo.
- Por quê?

- Porque é assim: Quem sonha está completamente sozinho.

Manuel Puig, in Maldición Eterna a Quien Lea Estas Páginas




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