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domingo, 8 de julho de 2012

"Eu, Rosie"


Eu, Rosie, eu se falasse, eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte.
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
Dum par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes

A ponte que nos une - é estar ausentes.


Reinaldo Ferreira 
Moçambique (1922-1959)
imagem: "The poet's Garden de V. Van Gogh, 1988

2 comentários:

  1. A coerência da incoerência.
    Afinal tudo quanto é natural!

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  2. MFC, não sei como, tinha a moderação de comentários activada e sem saber...Acho que Reinaldo Ferreira tem sido injustamente esquecido...um beijinho

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