"Cada um arrasta um corpo atrás de si, debaixo do sossego das estrelas" Fernando Pessoa
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010
Elegia
Já repeti o antigo encantamento
e só o cimento respondeu,
rastro de cinzas de maçã vencida,
desvestígio de gosto,
estanque julho que moeu vindimas
e deixou no espaço seu vinagre branco.
Onde havia um deus
os dias emboloram nuvens
de estrita agonia antepassada
que se olha no espelho
antes do adeus.
Inexiste, não soa, o que havia
fixou-se atrás da mente:
fim estalado de fotografia.
É agosto seco. É hoje e nunca houve.
Elizabeth Veiga
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O som sem eco de um final de verão.
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