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sexta-feira, 19 de março de 2010

A meu pai

Caldas do Moledo, foto de J. A. Almeida

Paisagem de infância.
a margem, o rio,
onde o horizonte me convoca e foge.

tenho 12 anos, tenho um cow-boy
que vi no cinema cuidando do seu cavalo ferido
estranhamente parecido a meu pai.
ele penteava e revigorava os meus cabelos
que dançavam na praia deserta
entre eflúvios de ternura.

e cada gesto mimetizava o Sol.

um fio longo e liso do meu cabelo
captou o eco das dunas.
uma borboleta incandescente
perdida na vertigem, cruzou o meu sono.
vento, olhos, pedras e as nuvens
manifestaram a constância desse esplendor.

com um sopro dos deuses
tudo ficou calmo e azul.
o sangue, a história improvisam.

Tudo se refaz. Nunca tardo, pai.
,,,,,,,,,,
Júlia Moura Lopes


6 comentários:

  1. Gosto desta foto de Caldas do Moledo. Mas gostei ainda mais da homenagem da menina que nunca tarda fez ao pai. :-)

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  2. É melhor apenas dizer que simplesmente a compreendo...

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  3. olá amigos, nao entendo o que está a acontecer, os comentários ficaram pendentes e ao recebo notificação.

    -------Exactamente nesse banco olhei a Lua muitas noites de verão.

    obrigada a ambos por estarem ainda aqui.

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  4. E eu que passei pela memória que me atravessa!!... Nadei nas águas de correntes contrárias, flutuando entre barbos que voavam sobre meu sono que sonhava!... E o tempo que passava na direcção da corrente adormecida no fim das tardes de verão!... Não mais acordei dessa memória Admirável que me embala e me carrega... entre a brisa de outros tempos, lá do outro lado das caldas do Moledo!

    Escolha entre... beijos e abraços

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