Pesquisar neste blogue

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Teatro Anatómico



O certo é que a realidade real
difere da realidade pensada.
Os homens não esperam mesmo nada.
Eu é que espero, e esse é todo o mal.

Agravo a dor do mundo imaginando-a;
coro de sangue e febre os olhos distraídos;
construo a voz amarga, implico-a de sentidos,
pisando-a, triturando-a, macerando-a.

O Mundo é corpo. É um corpo sem forma nem limites.
É como corpo, nele,
uns são carne, outros pele,
outros ventre, repleto de apetites,
outros sexo, outros boca, outros retina,
outros músculo tenso e força bruta.
Cada um seu sistema determina.
Cada qual a seu modo se executa.

Mas se um homem ferve
na água em que eu fervo,
coitado, só serve
para fio de nervo.


António Gedeão

Nota- Poema declamado por mim no Filo Café Descoberta/Invenção, sábado, dia 16 fotos aqui

8 comentários:

  1. Conheci António Gedeão como professor no Liceu Pedro Nunes.

    Um dos grandes poetas do nosso tempo!

    Abraço amigo

    ResponderEliminar
  2. ... então só pode ter sido magistralmente declamado, Júlia. :)

    ResponderEliminar
  3. que inveja, Joaquim!

    ---------

    Mike, estou em grande forma, sim :-)

    ResponderEliminar
  4. O nosso poeta estará realmente certo?
    Então sendo o corpo um mundo sem limites, não se pode esperar nada dele?

    Cumprimentos e um bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  5. Curiosamente ofereceram-me um livrinho intitulado "Rómulo de Carvalho - Ser Professor", da autoria de Nuno Crato, o qual nos dá a conhecer a vida do poeta enquanto professor e historiador.
    A Júlia esteve brilhante, imagino.
    Beijinhos
    António

    ResponderEliminar
  6. por isso mesmo,pode-se esperar tudo, Jose Torres:-)

    ResponderEliminar
  7. olá, António! anunciei no FB, para a próxima, tem que ir, ach que iria gostar:-)

    ResponderEliminar