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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AS INCLINAÇÕES RECÍPROCAS


Quando os peixes começam a ganhar raízes no fundo do mar,
os pescadores mergulham num tão longo desespero
que desatam a escrever-lhes poemas de amor,
que lançam até dois mil metros de profundidade,
em papelinhos verdes presos aos anzóis.

Os peixes, porém, cansados de tanto lixo,
devolvem os papéis e as palavras,
aproveitando apenas os anzóis
para erguer os seus muros de arame farpado.

Haukur Haraldsdóttir

(1867-1906 – Islândia)
Jornal de Notícias, 17 de Novembro de 1937

Tradução de Cristovão Meireles

6 comentários:

  1. um beijo.


    daqueles que permanecem na suspensão do tempo.



    (mulher Linda)

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  2. Gostei mesmo muito deste poema, Júlia :-)

    Uma excelente semana (do que falta).

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  3. A profundidade assim atingida é o muro que os defende da cobiça humana. Porque não acreditam nesse amor. Às vezes os humanos erguem muros entre si pelas mesmas razões.

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  4. olá querida desaparecida, Isabel!:-)

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    Fugi, quem dera que ganhe lanço de novo- risos- execelente semana também!

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