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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

NA CONCHA DE UMA PÉTALA VERMELHA



Na concha de uma pétala vermelha

de uma rosa que o sol abandonara,

eu vi agonizar uma áurea abelha,

por uma tarde castamente clara.


O sol deu-lhe a penúltima centelha...

E ela só morre ao luar que a noite aclara.

Outra abelha, que à morta se assemelha,

vem: vai-se, como a outra se finara.


Essas abelhas são as nossas almas,

que viveram em derredor das palmas

das ilusões que vês e que ainda vejo


Hoje os raios do sol não a socorrem...

mas veio o luar, que é a benção dos que morrem,

para ungi-las no derradeiro beijo.


Alphonsus de Guimaraens

4 comentários:

  1. Não sabia que o luar é a benção dos que morrem. Hum... até faz sentido... se o sol é uma benção para os que vivem... ;)

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  2. Morrer? É parar de viver, mesmo quando se está vivo. Concorda, menina Júlia? :)

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