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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

conta-se


Conta-se que na praia da mulher branca
Há trezentos anos ou talvez mais
Morreu uma feiticeira que por santa
Lágrimas derramou e muitos ais

Tanto no inverno como no estio
Vagueava a mulher pela beira-mar
De cabeça baixa ou altiva de desafio
Sempre só triste de lamentar

Do platô à achada de santantónio
Rumores de intriga e de desatino
Rodeavam a abandonada do destino
Sem que nada sustesse o falatório

De palavras poucas e sorrisos nenhuns
Passavam-se os anos conforme as marés
Na vinda destroços alguns
Na ida tudo de lés a lés

Da flor que se diz que apareceu
No exacto sítio em que a pobre morreu
Nem registo lápide ou pétala sobrou
À excepção do segredo que o povo guardou

Ponta Delgada,
Fernando Martinho Guimarães

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