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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As chamadas



A lua chama o mar e o mar chama o humilde fiapinho de água, que na busca do mar corre e corre de onde for, por mais longe que seja, e correndo cresce e avança e não há montanha que pare seu peito.

O sol chama a parreira, que desejando sol se estica e sobe. O primeiro ar da manhã chama os cheiros da cidade que desperta, aroma de pão recém-dourado, aroma do café recém-moído, e os aromas do ar entram e do ar se apoderam.

A noite chama as flores da dama-da-noite, e à meia-noite em ponto explodem no rio esses brancos fulgores que abrem o negror e se metem nele e o rompem e o comem.


Eduardo Galeano, in o Livro dos Abraços
foto de Oscar Vale, in retratando.com

2 comentários:

  1. E a Júlia acaba sempre por nos chamar com estes posts. Gostei, catrino! :))

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  2. Querido Mike , e o menino nao esquecendo atender aos meus chamados. obrigada :)

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