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terça-feira, 2 de junho de 2009

da linguagem dos deuses


B. (do Coro da esquerda ) (distraidamente)
- Não, não acreditei.
.
(Pausa)
.
C. (do Coro da direita)
- Porque não acredidaste?
.
B . (do Coro da direita)
- Os deuses são muitos e cada um tem a sua linguagem e essa linguagem é sempre doce porque senão não seriam deuses. Cada vez que ouvimos um falar pensamos que é ele o único e que o mundo que ele dá é que é o vero mundo. Ouvimos outro e julgamos dele hoje o que do primeiro julgávamos ontem. Cada um é a verdade só enquanto nos fala. Como somos crianças não sabemos nada, vivemos dos contos que nos contam e o conto que é contado enquanto o contam é o único conto que alguma vez foi verdade no mundo. Já eu ouvira outros deuses e porventura mais ainda ouvirei. O último será sempre o primeiro mas, no fundo de mim serei sempre o que ignora e arrasta um corpo atrás de si debaixo do sossego das estrelas.*
***
Fernando Pessoa, in "O Privilégio dos Caminhos, pág. 85

* epígrafe deste blog

8 comentários:

  1. Mas os deuses às vezes estão loucos, Júlia. ;)

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  2. Temos que acreditar em algo.
    Serão os deuses sempre dialogantes com palavras doces?
    Para não me imiscuir nas religiões, nem no "trabalho" de outros, acredito em mim.
    Sou o meu deus.
    Já vivi os contos, mas penso que viverei muitos mais ...

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  3. Há os deuses - e esses enlouquecem muitas vezes, como diz o Mike: basta espreitá-los no Olimpo -, que muitas vezes recorrem às palavras doces, enganadoras, mas esses são os deuses múltiplos...

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  4. Nadir Maria é uma falácia.
    Não sei o que se passou (como eu sou fértil nestas coisas!!!), utilizei o portátil da m/mulher e zás, o Blogger deu-lhe o nome.
    Peço desculpa pelo inconveniente.

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  5. José Torres, olá :-)

    por acaso, eu desconfiei de si :-)))

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  6. Cristina, essa dos deuses multiplos está complicada! risos

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