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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Arte para as crianças


Ela estava sentada numa cadeira alta, na frente de um prato de sopa que chegava à altura de seus olhos. Tinha o nariz enrugado e os dentes apertados e os braços cruzados. A mãe pediu ajuda:
— Conta uma história para ela, Onélio — . Pediu — Conta, você que é escritor...
E Onélio Jorge Cardoso, esgrimindo a colher de sopa, fez seu conto:
— Era uma vez um passarinho que não queria comer a comidinha. O passarinho tinha o biquinho fechadinho, fechadinho, e a mamãezinha dizia:
"Você vai ficar aviãozinho, passarinho, se não comer a comidinha". Mas o passarinho não ouvia a mamãezinha e não abria o biquinho...

E então a menina interrompeu:
— Que passarinho de merdinha — opinou.

Eduardo Galeano, in O livro dos Abraços

9 comentários:

  1. :-)))

    (lembrei-me da mafalda e da malfadada sopa: e eu que detestava sopa, hoje em dia gosto bastante)

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  2. nada como as crianças, para arrematar os loreados dos adultos ehehehhe

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  3. Fugi, comigo era o contrário. Dizem que eu tinha a voz tipo rouca e grossa e se viam aflitos comigo porque "maish, maish shopa!!"

    eu só queria sopa LOL

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  4. estou mesmo a ver que o Mister é daqueles que obriga os filhos a comer a sopa toda.
    saiba que eu comia a sopa toda, porque nao era obrigada. caso contrário, perdia a graça

    :-D

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  5. Júlia, presumo que, em miúda, também tivesse uma relação conflituosa com sopas, porque me lembro de que era um desespero fazer-me comer o que quer que fosse. Estou, portanto, razoavelmente segura de que a minha reacção a histórias de «passarinhos que não abriam os biquinhos» era idêntica à da filhota do Onélio, e se não dita, pelo menos pensada. ;-D

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  6. Querida Júlia, passe pelo deserto. Tenho mais desafio para si...

    bom fim de semana

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  7. Assim, saído de sopetão até dá para comer a sopinha toda.
    Foi num ai que abriu a boca toda ... e saiu ... em vez de entrar ...

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