Pesquisar neste blogue

sábado, 11 de abril de 2009

Doçura

foto de José Bolt no Escrever com Cor
***
Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.

Clarice Lispector

mais da autora neste blog, aqui

9 comentários:

  1. A velha Clarice...
    Um Santa Páscoa, Júlia!

    ResponderEliminar
  2. pois e aguentar... carregar e aguentar ... e sorrir quando nos dão a ão:)
    xi muito apertado, irmã de sintonização
    maria

    ResponderEliminar
  3. Querida Júlia, vim para desejar-lhe uma boa Páscoa e encontro Clarice Lispector. Que bom!

    Um beijo.

    ResponderEliminar
  4. Gosto da valente Clarice Lispector, que me foi "apresentada" quando vivi em São Paulo. E tudo por causa de histórias infantis, dá para acreditar, Júlia? :)

    ResponderEliminar
  5. a minha Clarice!..

    Espero que tenha tido uma uma Feliz Páscoa, Rui!

    ResponderEliminar
  6. Querida Marie, apesar do frio e das ausencias que se sentem mais nestas pocas, fiz os impossíveis.
    beijinho, amiga!

    ResponderEliminar
  7. é uma figura e tanto, Mike! acredito, porque ela tem contos para criança tão bonitos!

    ResponderEliminar
  8. Clarice Lispector não tinha NADA de feia! :-)

    ResponderEliminar