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quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Divina Possessão e a Arte da Escrita


Hoje lembrei revisitar o Letras & Letras, jornal electrónico que o meu amigo, Alberto Augusto Miranda ajudou a fundar. Talvez na tentativa de me aproximar dele, substituindo o telefonema tantas vezes repetido para lhe dizer de mim. O seu pai, o poeta Alberto Miranda, ajudou-me aos 20 anos a suportar a letargia que era viver numa cidade de provincia, (serei sempre uma inadaptada em qq lugar) abrindo as portas da sua casa e, na companhia da sua Ester, dividiu comigo a sua poesia, a sua mesa, os seus amigos, o seu piano. E como ele sabia juntar águas! Hoje o filho continua juntando as águas.
No jornal que vos falo, encontrei o texto abaixo, cujo autor é João de Mancelos. Partilho-o convosco numa espécie de catarse. Esta historia é antiga e lembrei que hoje, não separar águas é bem mais doido do que tentar juntar águas contrárias. Que se separem as águas!
***
"Passei a infância na cidade termal de Chaves, em Trás-os-Montes. Recordo-me perfeitamente de uma história que a minha avó me costumava contar na varanda, nas noites quentes de Verão. Havia nos arredores da cidade um doido que todas as manhãs – fizesse sol, chuva ou neve – se dirigia para as termas, de botas calçadas e enxada ao ombro. Ignorando a fumaça e a alta temperatura da água vulcânica, saltava para dentro de um dos canais e começava a sachar. Quando lhe perguntavam o que estava a fazer, replicava: «Estou a separar a água quente da fria».
Este episódio nem teria importância, perdido entre tantas outras histórias de mouras encantadas que suspiravam debaixo do décimo terceiro arco da ponte romana, ou dos sestércios descobertos pelos agricultores ao lavrarem a terra. Porém, ao ler uma entrevista dada pelo Prémio Nobel Salmon Rushdie, autor de Versículos Satânicos, deparei-me com esta afirmação: «Toda a literatura é feita de verdades e de mentiras. Separá-las é como tentar dividir a água quente da fria». Veio-me à memória o homem das termas, que agora me parecia menos um louco anedótico, e mais um teórico meticuloso, em busca das correntes da verdade. Tarefa impossível, é claro. Quem pode destrinçar os factos da ficção, se o poeta finge a verdade e se o leitor finge acreditar? Se tantas vezes, é a escrita que imita a vida? (....)
O texto integral no
Letras & Letras vale a pena ler!



Foto: roubada ao Chaves Antiga

16 comentários:

  1. E fez muito bem em partilhar este texto de João de Mancelos, que passou a infância na terra (e cidade natal) do meu pai, Júlia. A única cidade portuguesa onde existem algumas (muito poucas) raízes minhas. E onde repousa o pai-Mike. :)

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  2. a familia do meu pai tem lá Jazigo, subterraneo, de pedra, autentico bunker,sabe como é? O meu pai disse sempre que não quereria ficar lá, queria estar perto de nós. trouxemo-lo para o Porto mais tarde...

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  3. A família do meu pai também, Júlia. Ele quis que as cinzas dele repousassem ao lado do meu avô. Tenho que lhe ir fazer uma visita. :)
    E tinha saudades de a ler, mesmo se fosse comentando. :D

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  4. ...tanta coisa em comum, não é Mike?
    também tinha saudades de conversar consigo!

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  5. (sorrindo)
    E o meu era da Boticas, mesmo ao lado...
    :-)

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  6. As linhas do destino... as minhas raízes são de Lisboa e vivo em Chaves há muiiiiiiiitos anos.
    Obrigada pela visita no azul.
    Bj.

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  7. Mateso, o seu blogue é lindo! :-)

    Tenho aí familia, conhece a Quinta da Mata, em Nantes?

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  8. de Boticas, Fugi? Costumo encontrar-me por lá na "Casa da Eira Longa"com amigos num evento muito interessante de artistas, veja:
    http://canisdei.blogspot.com/

    beijos muitos e saudades ...

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  9. o Filinto é meu primo em 2º lugar e a Eugénia 1º lugar.

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  11. pois,O filinto conheço mas a Eugénia, não estou a ver, ou memelhor não devo conhecer.
    Bj.

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