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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

QUE A NOITE SEJA PERFEITA...




Que a noite seja perfeita se formos dignos dela
Nenhuma pedra branca nos indicava o caminho
Onde as fraquezas vencidas acabavam de morrer

Íamos para além dos mais longínquos horizontes
Com os nossos ombros e com as nossas mãos
E esse entusiasmo tamanho
Até ao brilho das abóbadas insondáveis
E essa fome de permanecer
E essa sede de sofrer
Sufocando-nos a garganta
Como mil enforcamentos

Partilhámos as nossas sombras
Mais do que as nossas luzes
Mostrámo-nos
Mais gloriosos com as nossas feridas
Do que com as vitórias esparsas
E as manhãs felizes

Construímos muro a muro
A negra muralha de nossas solidões
E essas cadeias de ferro prendendo o nosso andar
Forjadas com o mais duro metal

Que perfeita seja a noite em que nos afundamos
Destruímos toda a felicidade e toda a ternura
E os nossos gritos não terão
Doravante mais do que o trémulo eco
Das poeiras perdidas
Nos abismos do nada.

Alain Grandbois, in Poèmes d’ Hankéou, 1934
(Canadá, 1900-1975)


Tela: "La nuit" de William-Adolphe Bouguereau

9 comentários:

  1. Noites perfeitas e manhãs felizes... gosto disso. ;)

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  2. Ah não sei, Claras Manhãs... há gostos para tudo. (risos)
    E com claras manhãs, sim. Nada de manhãs soturnas. :)

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  3. Querida Marie, eu também ando meia introspectiva, não se preocupe, a amizade tudo entende :-)
    beijinho

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  4. E haverá algo que se aproxime tanto da perfeição, como destruir a felicidade?

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