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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Filo-Café, amanhã

- Código Penal -

As normas estão lá, perfeitas, sublimes na gélida vocação de uma certeza. São névoas em que as palavras têm a densidade de uma ética imaginária. Sílaba a sílaba, aprende-se que há gestos que ferem, matam, criam a desordem e traiem o silêncio. Ninguém o lê, a não ser por dever do ofício. E, no entanto, tem a textura de umapoesia absurda. Cada artigo parece um despropósito da evidência, soletrando o que é inabitável. Num texto sagrado, procura-se a esperança, a redenção, ou o discurso ancestral do medo. Aqui, aprende-se a hierarquia da pobreza. Aquele é um artefacto que conduz à ilusão. Este é uma realidade ponderada nas virtudes do prosaico. Ninguém pauta uma vida por um código. O que não é importante. As penas da lei não se confundem com as penas da alma. O crime é, antes de o ser, uma abstracção. Depois de o ser, é a desesperança para sempre instalada na memória.

(Floriano Cardoso)

Mais um Filo-Café, amanhã, no Orfeão do Porto. Informações aqui

cataz do Nelson Silva

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