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domingo, 25 de janeiro de 2009

e.e.cummings



que tal se um nem de um quem de um vento
põe verdades nos falsos verdes
sangra com folhas zonzas o ar
e arranca estrelas do seu lugar?

Dá nobre ao pobre dá senha ao sem
(dá gente ao ente: dá espaço ao tempo)
– se os céus se enforcam e o mar se afoga
o oco oculto é sempre alguém
que tal se um céu de um véu de um vento
montando montes com neve e nuvem
sufoca vales com cordas de ar
e entala selvas em branco outrora?

Dá mito ao medo; dá ver ao cego
(dá paz à ira e amor à mente)
– almas são montes; raízes – árvores
que vão dizer bom dia à aurora
que tal se um sim de um som de um sonho
corta o universo em dois,
descasca sempres de seus sepulcros
e espalha nens entre mim e vós?

Dá hoje ao nunca e nunca ao dobro
(dá vida ao não: dá morte ao foi)
– o nada é só outro imenso lar;
o mais que morre, o demais que é ser


e. e. cummings in poem(a)s, tradução de Augusto de Campos
poema n° 24
Tela de Bogdan Zwir, "Question"

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