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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A Outra Cidade


Deborah DeWit Marchant
Há muitas solidões cruzadas – diz – em cima e em baixo
e outras no meio; diferentes a semelhantes, forçadas e impostas
ou como que escolhidas, como que livres – mas sempre cruzadas.
Mas no fundo, no centro, há apenas uma solidão – diz;
uma cidade vazia, quase esférica, sem quaisquer
anúncios luminosos multicores, sem lojas, sem motocicletas,
com uma luz branca, vazia, brumosa, interrompida
por centelhas de desconhecidos semáforos. Nesta cidade
habitam desde há anos os poetas. Caminham silenciosos de braços cruzados,
recordam factos imprecisos, esquecidos, palavras, paisagens,
estes consoladores do mundo, sempre inconsolados, perseguidos
pelos cães, pelos homens, pelos vermes, pelos ratos, pelas estrelas,
perseguidos até pelas suas próprias palavras, ditas ou não ditas.


yannis ritsos

Dedico ao habitante das Palavras Ermas

11 comentários:

  1. Muitas...
    Bonito texto, cruzado com a solidão desse homem que ouve o som do rio.

    Beijinho, Júlia

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  2. Cruzamento de solidões... bonita imagem. É assim que começa o amor :-)

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  3. "... perseguidos até pelas suas próprias palavras, ditas ou não ditas"... é duro. Mas se fosse pelos actos e decisões seria pior, acho eu.

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  4. pois, Fugi, já sabemos do seu estado de graça :-))

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  5. Conduzem Júlia, por um lado. Por outro lado são as decisões que conduzem às palavras. Com o tempo descobri um outro momento de solidão: o exercício do poder.

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  6. felizes os que não consideram o silêncio ensurdecedor Querida Júlia .. :)

    Bonito este seu entrelaçar.
    Beijinho

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  7. Júlia, minha querida, voltei de longas férias. Estou atualizando minhas leituras. E seu blogue tem prioridade, claro. ;) Coloquei até uma musiquinha lá no "Letras". Me deu vontade...
    Estou morrendo de saudades.
    Beijos!!!

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  8. E todos vamos escrevendo as esquinas das nossas vidas!

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