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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Ar e o vento

Pelos caminhos vou, como o burrinho de São Fernando, um pouquinho a pé e outro pouquinho andando. Às vezes me reconheço nos demais. Me reconheço nos que ficarão, nos amigos abrigos, loucos lindos de justiça e bichos voadores da beleza e demais vadios e mal cuidados que andam por aí e que por aí continuarão, como continuarão as estrelas da noite e as ondas do mar. Então, quando me reconheço neles, eu sou ar aprendendo a saber-me continuado no vento. Acho que foi Vallejo, César Vallejo, que disse que às vezes o vento muda de ar. Quando eu já não estiver, o vento estará, continuará estando.


Eduardo Galeano, in "O livro dos abraços"



Dedico à Once, que continua estando



5 comentários:

  1. .. acertou no meu elemento Querida Júlia .. nisso e nos Amigos Abrigos, que transformo em sentimentos abrigados, protegidos, alimentados, alguns dos quais me acompanham desde sempre, e nos outros "que me atrairam momentaneamente mas não tiveram a capacidade de me prender" ;)

    Um Abraço terno por esta sua prova de amizade que não esquecerei.

    Bem-Haja *

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  2. Entre estrelas, pela Via Láctea, vão as Princesas caminhando...

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  3. foi exactamente o que eu pensei, Querida Once.

    beijo meu. bem-haja eu!

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