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domingo, 4 de janeiro de 2009

retrato de Clarice


“… Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível (…) Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto…”



(Trecho da carta de Caio Fernando Abreu a Hilda Hist - 29.12.1970)


ler da Clarice aqui


Dedico ao meu amigo Nelson Silva

7 comentários:

  1. Querida Júlia, bela postagem... GOSTEI... Uma boa semana!
    Um abraço de carinho,
    Fernandinha

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  2. Bonita postagem numa bela homenage a um amigo. Parabéns.
    Desde já obriigado pela sua visita e comentário ao meu blog atravéz da minha boa amiga Claras Manhãs, um pessoa cheia de arte na escrita.
    Que tenha um bom ano de 2009.
    Cumprimentos,
    Nuno de Sousa

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  3. Olá,

    Linda homenagem.
    Este post está bonito.

    Obrigado pela visita.


    Bjs

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  4. Eu de certeza que não estou fantasiando... e a impressão com que fiquei é que se trata de um post fortíssimo. :-)

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  5. Não fui à procura da dedicatória.

    Li e reli e fiquei a pensar se a "mulher linda e estranhíssima" não seria a Florbela Espanca.

    Penso que sei que não era ...
    mas o meu pensamento é só meu ...

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  6. Obrigado, minha querida amiga!

    Às vezes os opostos parecem conviver na mesma pessoa, há que saber aceitar isso e potenciar as coisas boas, talvez limpando o pó ao lado mais sombrio e descobrindo o cristalino que pode existir dentro de cada um.

    Beijos

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