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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ladainha dos póstumos Natais






Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
e que não viva ninguém meu conhecido.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido.
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.



David Mourão Ferreira

Este Postal de Natal vai para a Minucha, pelo carinho que tem ao apontar-me sempre o infinito.





13 comentários:

  1. Estive mesmo para postá-lo hoje também. Adoro este poema do David, e outros que ele tem de Natal (todos os anos, durante muitos anos, escrevia um poema de Natal).

    Bjs

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  2. Ana, eu tinha-o nos pendentes, mas a imagem não me saia..

    beijo

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  3. Minha Querida

    obrigado! então com este do David Mourão Ferreira e o José Boldt, fico com os olhos embaciados.

    Doi, mas tem salvação no fim
    e é bom que tenhamos consciência da realidade

    Obrigado Júlia

    beijo de amizade infinita

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  4. Há-de vir um Natal e será o primeiro
    em que o Nada retome a cor do Infinito.


    ______________dele.



    que saudade.....dele....
    .



    beijos.

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  5. A Minucha aponta-lhe sempre o infinito e faz muito bem. Mas ó Júlia, o infinito não é uma coisa triste... o poema tem uma força serena e a foto é fantástica, mas não me conformo com este post. :-(
    (de burrinho amarrado e braços cruzados)

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  6. então, Mike?:-)

    gosta do poema, gosta da foto, qual o bloqueio, amigo? :-)

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  7. O bloqueio é do poeta, não meu. Não é por o poema ser triste, mas sim porque revela um baixar de braços, uma aceitação de negativismo e pessimismo, Júlia.
    Ah, já agora que estou em fase de reclamação... porque raio na foto nos priva dos seus olhos? :-)

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  8. a aceitação é uma forma de serenidade, Mike.

    vou mudar!

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  9. Eu sou um vagabundo e escrevo "Minuxa", parece-me que tem outra entoação para quem tanto merece.

    Não concordo com o David Mourão Ferreira e ele não se importa.

    Não quero o meu lugar vazio, ninguém o quer ou deseja.

    De resto, concordo com ele.

    Não serei o único vivo e conhecido.
    Que serei ou não recordado.
    Que serei ou não, mais um ser ausente para sempre.
    Que o Natal decorra sem qualquer pensamento.

    Um bom Natal, com os elos de ligação todos unidos, com saúde.

    Um "TCHIM!" "TCHIM!" aos alvores de, 2009, mais um ciclo de sacrifícios.

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  10. Lindo Poema
    Encantador
    Adorei. Parabéns
    Silas Correa Leite
    www.artistasdeitarare.zip.net

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