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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

cartas a uma Princesa


O que será que esta Pricesa estará a ler? uma carta de amor? vinda de quem? eis algumas hipóteses:

Querida Francisca,

Há muito tempo que te olho durante as aulas e que estou apaixonado por ti em silêncio. Sei que não sou o rapaz mais belo do colégio, mas mesmo assim aceitas ser a minha amiguinha oficial? Eu tomarei conta de ti e da tua boneca, para que...
João


***

ou uma história contada por sua mãe, Dona Fugi, que tem um Esconderijo:


***

"Certa vez, quando eu era criança, minha avó, uma imigrante russa, disse que as pessoas nos Estados Unidos não dão com o coração. “Quando se dá aqui”, declarou, apontando para seu plexo solar, chamando-o de nome que jamais aprendi a pronunciar, é como manter um livro-caixa. Eu lhe dou três, você me dá três. Eu varro o chão, você corta a lenha.”

Ela afastou a mecha de cabelos brancos dos olhos com o dorso das mãos avermelhadas, balançando a cabeça de um lado para o outro, sussurrando: “na, na, na, na, isso não é dar; é negociar. A alma se vai quando se dá desse jeito. Dar deve vir daqui”, disse ela, tocando de leve o centro do peito, com seu dedo frágil. Quando se dá com o coração, não se quer nada em troca. Não há dívida nem devedor. Dá-se apenas pelo prazer de dar. Quando se dá assim, somos preenchidos e não esvaziados.

O coração jamais se gasta. Quanto mais se tira daqui, mas cheio ele fica. Então, ela limpou as mãos no avental amarelo e me puxou para si. “É como dar um abraço. Lembre-se disso ketzaleh*. Lembre-se de dar com o coração. Mesmo para estranhos. Quando se dá com o coração não há estranhos. E fique atenta quando alguém lhe der assim, para não se esquecer de dizer obrigada.” (......................) "

Nota: *Gatinha, yidish

Dawna Markova, in "Gestos de Bondade"

17 comentários:

  1. ...obrigado por estes bocadinhos, especialmente pela recordação dos "papelinhos" com que aprendia a tentar tratar como princesas algumas das minhas amigas... e com quem aprendia a dar...

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  2. Querida Júlia,
    este post é tão bonito que me emocionei...

    Com a imagem: parecem mesmo as minhas sementinhas - a mais novita, uma traquina; a mais velhinha já sonhadora...
    E com a estória... Serei talvez muito transparente ou espontânea. Já pensei, com uma ou duas coisas que li, que deveria resguardar-me mais.
    Mas esta vida (e a blogosfera também é uma parte da nossa vida) serve para aprendermos a darmo-nos aos outros. E eu sou uma sortuda: amo e sou muito amada.

    Muito obrigada por me ter dado o seu coração nesta imagem e nestas palavras.
    Um beijo feliz,
    :-)

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  3. Querida Fugi, neta da avó Russa, :-))

    imagino-as assim,às suas sementinhas, querida Fugi :-)

    encontrei a imagem e fiquei num sufoco até inventar o bilhete e encontrar este fragmento de sabedoria, até bloqueei.

    também sou assim, com essa espontaniedade que é também seu apanágio. Pensei que tinha perdido isso e tinha muito pena. Quem se perde do que é, fica sem nada ,Fugi...

    fico feliz porque gostou!

    1 beijinho meu!

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  4. drengo,

    o papelinho, fui buscá-lo também a essas recordações, pior era quando eram apanhados antes de virem ter à nossa mão por algum professor atento.
    No meu tempo, havia autenticas obras literárias - risos-

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  5. E eu que oiço desses papelinhos, ou conversas, quase diariamente, aos sobrinhos :)

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  6. Querida Cristina, imagino,imagino, eu sei de alguns impublicáveis :-))

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  7. A avó era muito assim, mas não era russa :-p

    (e fica mesmo sem nada, Júlia...)
    :-)

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  8. Muito bonito este post. Belo. :-)
    Post de menina, mas belo, sem dúvida...

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  9. E porque aqui recebemos muito, dado com o coração, obrigada, Júlia, com votos de que tenha umas Festas Felizes.
    Um beijinho. :-)

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  10. Também eu regressei à minha infância...
    Que mais poderei dizer? Lindo!
    Desejo-lhe umas Boas Festas para si e para os seus, com muita Paz, Alegria e Saude! O resto que venha por acréscimo.
    Um beijo
    rakel

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  11. Querida amiguinha
    Muito obrigado pela sua amizade.
    Mil beijinhos.
    António

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  12. Aproveito este espaço do comentário para a cumprimentar pelo natal. Embora indiferente à tragédia consumista em que esta festa se transformou - não sei se é melhor ou pior que o drama católico que dela se aproveitou... -, não sou indiferente à onda de acenos, olás, feliz isto ou feliz aquilo que se debita na época. Há coisas que me irritam por me contagiarem. E normalmente só me contagiam coisas que me dão prazer... mas irrita-me!

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  13. ... para que nos lembremos sempre que só existe um amor. Eterno.

    Rogério

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  14. Que delícia, Júlia! Deixo-te um beijinho e desejos de um óptimo 2009.

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