Pesquisar neste blogue

sábado, 11 de outubro de 2008

A primeira vez que entendi



A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou mexendo.

De lá para cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que
seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz
de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro

Affonso Romano de Sant'Anna, in Vestígios
Foto : de José Boldt, no Escrever com Luz

13 comentários:

  1. Gosto muito. Está completo? Gostaria que não estivesse; apetece ler mais...
    :-)

    ResponderEliminar
  2. o poema sim, o entendimento da vida,concordo consigo, acho que não :-)

    ResponderEliminar
  3. A primeira vez que Aqui vim não cortei o rabo a nenhuma lagartixa mas encontrei Caminhos que permaneceram vivos. De lá para cá tem sido um privilégio e aprendi a achar nas palavras e nas imagens o prazer de as ler e de as olhar.

    ResponderEliminar
  4. :-)
    eu também fui descobrindo e aprendendo aqui a comunicar de uma outra forma.Devo-o a si e ao grupo de amigos que conhece.

    Devo-vos também a oportunidade que me dão de me evadir do peso da vida, que é um pouco como a lagartixa. continua a rabear,mas enquanto isso, folgam-se as costas,amigo.

    ResponderEliminar
  5. :-)
    Ainda bem, Júlia, porque a vida é bela! :-)

    Todos carregamos os nossos túmulos (uma vez postei sobre isso aqui - desculpe lá o abuso :-) ) mas temos de a saborear com a maior leveza possível, sorrindo (rindo) sempre porque, na verdade, somos uns sortudos.
    (eu levo a vida muito a sério, a rir...)

    Um beijinho :-)

    ResponderEliminar
  6. Júlia, que delicia!
    Não conhecia, mas fiquei encantado com este poema!
    O entendimento da vida só se conhece (e superficialmente) vivendo e aprendendo a saborear os ensinamentos que ela nos vai trazendo.
    Uns bonsm outros maus, há que saber consevar alguma serenidade sempre para os assimilar...
    Fácil não é, mas se fosse talvez perdesse muio do seu encanto!

    Vem... vamos aprender a cada passo!

    ResponderEliminar
  7. Poema lindo, Júlia, com uma mensagem poderosa. Estes teus Caminhos são um verdadeiro serviço público de poesia, que faz tanta falta à vida!
    beijinho

    ResponderEliminar
  8. Querida Fugi, fiquei muito baralhada , pensativa, com o seu post, voltarei lá, não pode passar em branco. Jesus não terá sido injusto com Marta? Tendencioso, não isento? Não paro de pensar nisso. Lá voltaremos e se me der licença , traremos para o Privilégios a sua reflexão.

    beijinho

    ResponderEliminar
  9. Querido amigo Nelson, se há pessoas boas neste mundo és tu. Se me perguntares porque penso isto, não te sei dzer, só sei que te reconheço essa qualidade desde o dia em que te vi.

    só te digo que eu prefererria não aprender tanto. O mundo seria mais bonito.

    beijinho

    ResponderEliminar
  10. Querida Júlia, o poema é realmente bom. E porque o rabo da lagartixa é por ela largado para distrair o atacante, todos podemos dizer que ficamos a perceber algo da vida quando aprendemos como nos defender.
    A melhor forma? Procurar apenas os meios em que nos sintamos bem. Como Aqui.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  11. O Paulo é um querido. Foi um Privilégio encontrá-lo nestes Caminhos. 1 beijinho meu

    ResponderEliminar
  12. E eu querendo acreditar em "sinais", "sintonias". Estou me esforçando, Júlia, querida. ;) Beijos!

    ResponderEliminar