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sábado, 25 de outubro de 2008

os justos



Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
Aquele que agradece que haja música na terra.
Aquele que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um xadrez silencioso.
O tipógrafo que compõe tão bem esta página que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
Aquele que agradece a presença na terra de Stevenson.
Aquele que prefere que sejam os outros a ter razão.
Essas pessoas, que se ignoram, vão salvando o mundo.


Jorge Luís Borges
foto: Nickolai Kalmykov

12 comentários:

  1. É verdade! O mundo vai sendo salvo por aqueles que da sua acção não temos notícia...

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  2. Esta imagem do quotidiano simples cujos protagonistas sao os anónimos de bom caracter, lembrou-me este poema que eu tanto gosto, CM.

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  3. Sábio, simples e belo. Borges tem esse dom especial de dizer coisas aparentemente simples, mas profundas.

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  4. Bom. Muito bom post, Senhora Dona Júlia. :-)

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  5. :-)

    o poema já é tão velhinho e conhecido, mas eu gosto muito dele.Hoje deitei para trás das costas o déjà vu ,apeteceu-me ;-)

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  6. E, Júlia, querida, encontrar Borges por aqui é tão bom...
    Beijos!!!

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  7. Percebo a articulação com a prece do Quintana, acima. O poema de JLB está incompleto e muito mais pobre do que o plano, que terminava pela chave de ouro seguinte:
    "Aquele que rende tributo aos Olhos da Autora do Privilégio dos Camonhos".
    Beijinho, Querida Júlia

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  8. oh, Paulo, render trbuto só não basta... :-)

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  9. e este poema é magnifico,não é Marie :-)

    beijinho

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