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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Porque escrevo



Menhires


(A beleza é um acto rápido e sem razões
escreve suas estrelas deflagrando os espelhos...)

Como um insecto
poisado num copo tombado
assim se cala, se faz
e desfaz um texto.
Das palavras entre-muralhas
faço azuis,enquanto galáxias
fogem para outras constelações.

Alinho esqueletos
em cada palavra escrita
dirigida ao perfil em cruz
de um deus ausente.

Anulando o movimento último da maré,
acrescento um ponto.

Uma exclamação na margem do alinhamento
falou e fulminou o instante!

Longínqua e branca, caiada de ar
treme a voz do texto.

Entre as pernas das letras,
(Menhirs da escrita mais humilde)
escrevo gritos de silêncio.

É na nota mais grave desse
grito que me escondo
para me encontrar.

Júlia Moura Lopes
Post de 13/09/2007, republicado
...
Esta é a minha resposta ao desafio aqui

23 comentários:

  1. Caramba, a menina está inspirada. :D
    Fartou-se de escrever a reclamar e não parou. E ainda bem. :-)

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  2. arranje um advogado de defesa bom, Mister senão está falido :P

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  3. Estou disposto a pagar a indemnização e não ficarei falido. A menina é que não saberá onde pôr tanta areia... (risos, muitos risos, sem parar)

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  4. Bravo Júlia!
    Gostei de a encontrar assim "descrita" em nota grave, misturando azul, menhires e muralhas.

    Beijinho

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  5. desculpe, Mikezinho lindo, confundindo Areia com Bolas de Berlim????

    que confusão..:-P

    muitos risos,tantos que até sufoquei

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  6. devias responder a mais

    desafios
    mesmo sem eles

    .
    .
    .

    admirável mundo

    .
    .

    da escrita

    .

    este teu




    .
    um beijo

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  7. Gosto quando pões aqui coisas tuas, Júlia. Este poema diz muito de ti e é muito bonito.

    beijinho

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  8. "na nota mais grave" .. mas também na mais serena querida Júlia .. porque de agudezas estamos fartos ;)
    Gostei muito *
    Beijinho e bom fim de semana

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  9. Querida Júlia, a Menina escreve bem demais, pelo que só o Sublime da Poesia pode deixar entrevê-La, como à Razão.

    No caso de um desajeitado como eu só se poderia aplicar a frase de Mencken:
    "escrevo para atingir a tensão aliviada e o sentido de realização que uma vaca leiteira consegue quando é ordenhada.".
    Beijinho

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  10. Belo poema, dotado de paixão e de imagens poderosas...

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  11. Serás encontrada, certamente.

    Rogério

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  12. Querida Gabriela, o poema já estava no blog, mas ninguém o leu. :-))

    Obrigada pela delicadeza. Admiráveis letras, as tuas, isso sim.

    beijinho

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  13. Ana, já me conheces :-)tens razão, tem tudo de mim, em código ;-)
    só decifra quem é amigo e me quiser ler, como tu.
    obrigada!

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  14. Querido Paulo, escrevo muito pouco e cada vez menos, censuro-me demasiado e sou preguiçosa também.
    Quanto ao que sai de si,sai sempre o leite das palavras que dão vida.

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  15. CM,

    :-)
    obrigada por me ler e por ser amigo presente

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  16. Querido Rogério,

    Antes, queria eu encontrar-me...

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  17. Querida Once,

    Serenidade é um estado que eu persigo mesmo quando o mundo me cai em cima dos ombros.

    beijinho

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  18. "...escrevo gritos de silêncio": que imagem bonita!...
    Beijinho

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